Centro de Saúde de Barão Geraldo

Febre Maculosa

Um verdadeiro surto de carrapatos está ocorrendo em Barão Geraldo
É necessário cuidado!

Carrapato transmissor Febre Maculosa


O carrapato-estrela é vetor de uma grave doença que ataca o ser humano: a febre maculosa. Causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, mata mais de 80% das pessoas acometidas pelo mal quando não tratadas a tempo. Pode ocorrer em todo o Sudeste do Brasil, sendo que na região de Campinas, no interior paulista, foi registrado o maior número de casos nos últimos anos.

A bactéria ataca as células que revestem os vasos sanguíneos do sistema circulatório, ocasionando graves distúrbios circulatórios no organismo, principalmente no cérebro. Passa para o homem quando um carrapato infectado fica mais de quatro horas fixado sobre a pele da pessoa. De seis a 12 dias depois, começam a aparecer os sintomas. Primeiramente, uma febre alta que persiste mesmo com o uso de medicamentos, dores musculares, fadiga, dor de cabeça e enjôo. Depois de três dias de febre, começam a aparecer pequenas manchas vermelhas, especialmente nas mãos e nos pés, que se espalham pelo corpo com o passar do tempo. Se o tratamento médico, que é feito à base de antibióticos, não foi iniciado até esse momento, dificilmente o doente irá se recuperar. Nesse caso, a morte pode ocorrer em menos de uma semana após o surgimento dos primeiros sintomas.

Os sintomas da febre maculosa são confundidos com os de muitas doenças como gripe forte, meningite, sarampo e leptospirose. Portanto, para o correto diagnóstico, é importante que o paciente informe ao médico que passou por uma área infestada por carrapatos.


Como prevenir
Quando for caminhar por uma área infestada, borrife algum inseticida na calça.

Como medida preventiva, coloque a boca da calça para dentro da bota.

Sempre que caminhar em uma área contaminada, vasculhe todo o corpo para retirada dos carrapatos fixados o mais rápido possível.


Resposta baseada em consulta a Marcelo Bahia Labruna, professor de doenças parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, São Paulo, SP


O chamado micuim ou carrapato-pólvora é a larva do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), espécie nativa do Brasil e muito comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Na natureza, é encontrada em animais silvestres, em especial, na anta e na capivara. Com a introdução do cavalo pelos colonizadores, o carrapato-estrela achou um hospedeiro ideal, com pouca imunidade à praga e com boa tolerância às infestações. Não existe notícia de cavalo que tenha morrido em decorrência de ataque do carrapato-estrela. Há muitas outras espécies de carrapato (só no Brasil, são cerca de 55), como o carrapato-de-boi (Boophilus microplus) e o encontrado nas orelhas dos eqüinos (Anocentor nitens), mas o estrela é o que causa mais problemas ao ser humano.

O ciclo de vida do carrapato-estrela é de exatamente um ano. No período das águas, de outubro a março, as fêmeas adultas fecundadas caem ao chão e cada uma delas põe cerca de 7 mil ovos que, ao eclodirem, darão origem aos micuins. É muito comum se observarem nos pastos, entre abril e julho, verdadeiros bolos de micuins sobre arbustos, à espera de um hospedeiro. Quando um cavalo, um animal silvestre ou mesmo o homem esbarram no local, as larvas aproveitam para se instalar. Depois de se alimentarem de sangue, caem novamente ao solo e sofrem uma muda transformando-se em ninfas.

Na fauna silvestre do Sudeste e do Centro-Oeste, as antas e as capivaras são os animais preferidos pelo carrapato-estrela, cuja forma larval é o micuim ou o carrapato-pólvora
Vermelhinhos
As ninfas são os chamados vermelhinhos, maiores e mais visíveis que os micuins, e que também procuram um hospedeiro. Ocorrem de julho a novembro e podem parasitar o ser humano. Com as ninfas, acontece o mesmo que com os micuins, ou seja, após se alimentarem do sangue do hospedeiro, caem ao chão e sofrem nova muda, chegando finalmente à idade adulta, o que acontece entre outubro e março. Os adultos, que são os carrapato-estrelas propriamente ditos, podem viver até dois anos no solo sem se alimentar, à espera do hospedeiro. Nessa fase, raramente infestam o homem. Ao se fixarem no animal, alimentam-se e realizam a cópula. Em seguida, as fêmeas caem ao chão para desovar, concluindo assim o ciclo de vida da espécie.

O combate ao carrapato-estrela pode ser feito tanto no pasto quanto nos animais infestados. Pastagens sujas (com mato alto, vassouras, assa-peixe etc.) são meios ideais para a proliferação dos carrapatos, pois os ovos encontram sombra e proteção. Uma medida eficaz, que evita o uso de venenos, é roçar o pasto rente ao solo uma vez por ano, na época das águas, de preferência com roçadeira mecânica. Com o capim baixo, os ovos ficarão expostos ao sol e não vingarão, quebrando-se o ciclo do parasita. Fora esse procedimento, a aplicação de banhos carrapaticidas nos cavalos pode resolver o problema. Em altas infestações, esse banhos têm que ser dados de sete em sete dias, de abril a outubro, combatendo-se as fases de larva e de ninfa. Muitos fazendeiros iniciam a aplicação na fase adulta dos carrapatos, quando eles se tornam mais visíveis. Porém, nessa fase eles são mais resistentes ao veneno, e o tratamento não surte o efeito desejado. A partir do segundo ou terceiro ano, feito o tratamento de forma correta, os resultados começam a aparecer. Pode-se então diminuir a freqüência dos banhos.

Texto de Marcelo Bahia Labruna, professor de doenças parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, São Paulo, SP - site na Internet.
 

Alfredo Moro Morelli
redator do Barão em Foco

 

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