O Barão Geraldo de Rezende

 A Fazenda Santa Genebra

 

 

Vista da fazenda Sta. Genebra,
onde morou o Barão Geraldo de Rezende

Texto de Vanderley Antonio Tonella
Historiador de Barão Geraldo

O Barão Geraldo tinha o nome de Geraldo Ribeiro de Souza Rezende. Era filho do Marquês de Valença (senador Estevão Ribeiro de Rezende) e da Marquesa de Valença (Sra. Ilidia Mafalda de Souza Queiroz). O Marquês de Valença, titular de ruas e avenidas em todo o país, teve 16 filhos. Nasceu em 20 de Julho de 1777, no Arraial dos Prados, Comarca do Rio das Mortes, Minas Gerais. Era filho do Coronel Severino Ribeiro e de Josefa Maria de Rezende. Faleceu a 08/09/1856. Tal era o prestígio do marquês de Valença, que uma de suas filhas, D. Amélia de Souza Rezende, casou-se com o titular francês conde de Cambolas e marquês de Palarim, e outro filho seu, legitimado, Estevão de Sousa Rezende, foi elevado a barão de Lorena. O Barão Geraldo de Rezende nasceu no Rio de Janeiro em 19 de abril de 1.846. Casou-se em 1876, na mesma cidade onde nascera, com sua prima, Maria Amélia Barbosa de Oliveira, filha do conselheiro imperial, Albino José Barbosa de Oliveira, e de Izabel Augusta de Souza Queiroz, irmã de Ilidia Mafalda de Souza Queiroz, ambas filhas do Brigadeiro Luiz Antonio de Souza. O Barão e Baronesa Geraldo de Rezende, tiveram 3 filhas: Amélia, Marieta e Elisa. Apenas Amélia, filha mais velha dos barões Geraldo de Rezende, se casou. A escritora campineira, Amélia de Rezende era casada com João Lopes de Assis Martins. O casal João e Amélia Rezende Martins tiveram nove filhos.

Barão Geraldo tinha como irmãos: o Barão de Rezende (Estevão Ribeiro de Souza Rezende) e o 2º Barão de Valença (Pedro Ribeiro de Souza Rezende). Todos tinham por coincidência o mesmo brasão do titulo nobiliárquico de barão. Além dos irmãos: Barão de Rezende e Barão de Valença, Barão Geraldo de Rezende era irmão do Barão de Lorena (Estevão Ribeiro de Rezende) e de Luiz Ribeiro de Souza Rezende, capitão da Guarda Nacional e Cavalheiro Imperial. Tinha como tios pelo lado materno: o Barão de Limeira (Vicente de Souza Queiroz) e o Barão Souza Queiroz ( Francisco Antonio de Souza Queiroz), ambos filhos do Brigadeiro Luiz Antonio de Souza.

O pai do Barão Geraldo, Marquês de Valença, Por Decreto de 11.04.1812, foi-lhe concedida a licença para casar. Por esta ocasião a pretendente tinha apenas 7 anos de idade e o pretendente, curiosamente, 35 anos de idade, cinco filhos naturais, legitimados e, dois deles, nascidos depois desta licença. Casado em São Paulo, por volta de 1819, com ILÍDIA MAFALDA DE SOUZA QUEIROZ, nascida a 14.05.1805, batizada a 09.06, conforme o registro do Livro 10 da Sé ( São Paulo), fls. 35. Era filha do brigadeiro Luiz Antônio de Souza Queiroz, fidalgo português residente em São Paulo (que chegou a ser considerado como a maior fortuna da província de São Paulo) e de Genebra de Barros Leite falecida em Lisboa em 1836; Ilidia Mafalda de Souza Queiroz faleceu a 24 de julho de 1877, no Rio de Janeiro - RJ. Foi sepultada no dia seguinte na Capela de sua família, no Cemitério de S. Francisco de Paula (Catumbi) - (colaboração Regina Cascão Vianna e Dr. Sergio de Freitas)

O ilustríssimo Comendador: Geraldo Ribeiro de Souza Rezende recebeu o título de Barão de Iporanga por decreto de 19 de junho de 1889, assinado pela Sua Majestade Imperial D. Pedro II, tendo mudado, a seu pedido, para Barão Geraldo de Rezende. Recebeu o titulo de barão meses antes da Proclamação da República do Brasil (15/11/1. 889). Com a Proclamação da República, os títulos nobiliárquicos se tornaram sem importância. Neste mesmo ano, o Barão Geraldo de Rezende retira-se da política para se dedicar a sua fazenda Santa Genebra, que era considerada uma fazenda modelo, onde havia emprego de toda a tecnologia conhecida na época para o cultivo dos cafezais.

Contam que o Barão Geraldo de Rezende se suicidou na sede da fazenda de sua propriedade em Campinas, em 1 de outubro de 1.907. O Barão Geraldo teria tomado veneno ao ver a sua fazenda Santa Genebra, a qual tinha dedicado parte de sua vida, ser tomada por hipoteca. Para saldar as dividas contraídas pelo Barão Geraldo quando da construção da Estrada de Ferro Funilense, que ligava a atual cidade de Cosmópolis (antes Fazenda Funil) ao bairro Guanabara, em Campinas, a fazenda Santa Genebra foi hipotecada pelo Governo Estadual, e posteriormente adquirida através do leilão pelo também fazendeiro senador Luiz de Oliveira Lins Vasconcellos e comprada posteriormente pelo seu irmão o banqueiro Cristiano Osório de Oliveira, pai do Sr. José Pedro de Oliveira casado com D. Jandyra Pamplona de Oliveira, ambos falecidos. José Pedro de Oliveira faleceu vitimado por tuberculose pulmonar, em 1.935 (?), pois passava noites caçando pequenos animais na Mata de sua fazenda Santa Genebra.

A Companhia Carril Agrícola Funilense, que como o nome diz, tinha o propósito de transportar produtos agrícolas da região do Funil através de "carris" (trilhos) de ferro, foi fundada em 24 de Agosto de 1.890, e teve o Barão Geraldo de Rezende como primeiro presidente da Companhia. Além do Barão Geraldo de Rezende, havia os sócios: Luciano Teixeira Nogueira, José Paulino Nogueira, José Guatemozim Nogueira, Artur Nogueira, dentre outros. Os incorporadores, João Manoel de Almeida Barbosa¸ Francisco de Paula Camargo e José de Salles Leme. O objetivo da ferrovia era fortalecer a economia cafeeira e canavieira da região, como a Usina Esther ( localizada na atual cidade de Cosmópolis), os núcleos coloniais e as fazendas e lavouras do norte de Campinas, fazendo o escoamento da produção através de ferrovias, pois o transporte era feito por tração animal ( carros de boi) e em estradas precárias comprometendo a produção do açúcar e do café. Os Nogueiras conseguiram o apoio de Albino José Barbosa de Oliveira e do próprio Barão Geraldo de Rezende para a construção desta Ferrovia. O contrato da companhia carril Funilense era de risco, e a principal exigência deste contrato era caso os proprietários e responsáveis pela ferrovia não conseguissem saldar as dividas contraídas com o Estado, perderiam a posse da linha férrea que serviria como forma de pagamento desta divida (hipoteca).


Os trilhos da Companhia Carril Agrícola Funilense, começavam no bairro Guanabara, em Campinas, passavam bem na área central e bairros do atual distrito de Barão Geraldo (atrás da churrascaria Trevisan, acesso ao Terminal de ônibus, Praça 30 de dezembro, rua Maria Luiza Buratto Pattaro, canteiro central das ruas José Martins e Manoel Antunes Novo, lateral da rua José Martins, seguia até a Domasa-04 (Sanasa), na Vila Santa Isabel), passava pelo Bairro Betel ( atualmente pertencente ao município de Paulínia), também na área central da cidade de Paulínia ( seguia pela av. José Paulino, e onde estava a estação rodoviária, no centro desta avenida, era o local exato da estação ferroviária - Estação José Paulino da Companhia Funilense) e os trilhos continuavam até chegar na cidade de Cosmópolis, passando antes pelo bairro João Aranha, em Paulínia. A estação da fazenda Funil, atual cidade de Cosmópolis, era denominada de Barão Geraldo de Rezende. Os trilhos da Companhia Carril Agrícola Funilense foram inaugurados somente em 18 de setembro de 1.899. As várias estações ao longo do percurso desta ferrovia foram recebendo nomes de diretores e membros da própria Companhia: "Barão Geraldo de Rezende" ( em Cosmópolis) , "José Paulino Nogueira" ( em Paulínia), "João Aranha", "José Guatemozin Nogueira" e "Artur Nogueira", dentre outras que levaram o nome da fazenda onde estavam situadas: "Santa Genebra" ( atual distrito de Barão Geraldo), "Deserto" ( Bairro Betel, em Paulínia) , "Santa Terezinha" e " Engenho". Obviamente, os bairros onde estavam essas estações foram sendo conhecidos pelos mesmos nomes. Esta ferrovia nunca deu lucro, somente acumulou prejuízos, levando o Barão Geraldo e os outros sócios a completa falência. 

A linha férrea, que atravessava o centro do atual distrito de Barão Geraldo, pertenceu a Cia. Carril Funilense de 1899 até 1.921, depois foi vendida a Cia. Estrada de Ferro Sorocabana que assumiu esta ferrovia de 1921 até 1.962. Em 1962 a linha férrea foi extinta e os trilhos foram arrancados sem deixar vestígios por onde passavam. A linha férrea ia de Campinas, até a estação de Pádua Sales nas margens do rio Mogi-Guaçu (estação final). O Ramal ferroviário, denominado de Pádua Salles (entre as duas estações de Campinas a Pádua Sales), contava com 93 quilômetros de extensão. A Estação Santa Genebra passou a se chamar de Estação Barão Geraldo, após a morte do Barão Geraldo de Rezende, em 1 de outubro de 1.907. Interessante mencionar que quando havia quermesse em Barão Geraldo, ou seja, festa em louvor a Santa Izabel, os maquinistas da Maria Fumaça da Estrada de Ferro da Sorocabana ( antes Cia Estrada de Ferro Funilense), estrada esta que passava ao lado da antiga capela (já demolida, atual agência do Banco Banespa), eram avisados pelos chefes das estações anteriores para diminuírem a marcha e apitar constantemente antes de chegarem com suas locomotivas, próximas a capela de Santa Izabel em Barão Geraldo, pois assim, o povo não corria o risco de ser atropelado ou de se assustar com a passagem da locomotiva a vapor apelidada de " Maria Fumaça" . Além de sofrerem queimaduras, pois a locomotiva emitia fagulhas e vapor por onde passava.

  

 

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