Eliana Calmon Alves atuou como Corregedora-Geral da Justiça do Conselho Nacional de Justiça entre setembro de 2010 e setembro de 2012. A atuação da magistrada foi marcada por denúncias da atuação de magistrados no país. Afirmou haver “bandidos de toga” na magistratura e que haveria uma infiltração de criminosos no Judiciário, que se escondiam atrás de suas posições. Afirmou, na época, que eram 2%, estamos falando de mais de 300 juízes brasileiros, de um total de 17.000.

A ministra iniciou diversas investigações sobre evolução patrimonial de juízes e para esclarecer acusações de improbidade. Nesse período, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu várias liminares interrompendo medidas corretivas em andamento contra seus colegas de profissão. Entretanto, diversos grupos de magistrados, entidades políticas e setores da sociedade civil apoiaram a magistrada, como a Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados e o Tribunal de Justiça da Bahia.

Investigando indícios de irregularidades no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), maior tribunal do país, este foi avesso às interferências externas e às ações da corregedora. Entre as investigações na corte paulista estão a comparação entre as declarações de renda dos magistrados e servidores com as folhas de pagamento, e o processo de liberação de pagamentos de precatórios.
Foi uma verdadeira guerra, perdeu para alguns do STF e outros do TJSP, mas deixou o exemplo de coragem e luta em defesa de uma justiça social igualitária em um país campeão de corrupção, desigualdade e injustiça social.

É uma mulher admirada por ter feito algo extremamente valente, é uma brasileira que ousou agir contra a injustiça e corrupção diretamente contra os representantes da própria justiça. Isto em um período que poucos ousavam contestar as regalias do judiciário.

Alfredo Moro Morelli
redator do Barão em Foco

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