Engenharia de Tráfego em Barão Geraldo

Contrastes:

Por que a Av. Sta. Isabel ou na Albino J Oliveira (1.500 veículos/h - quinta das 11:00h às 12:00h), têm mão dupla e a rua Francisca R. Merciai, na quadra ao lado do Unibanco, (na mesma hora, passaram apenas 4 veículos), tem mão única?
 

Quem explica (ou deveria explicar) é a Engenharia de Tráfego.
Engenharia de Trafego é a área do conhecimento que tem como objetos o planejamento, projeto geométrico e operação de tráfego em vias, suas redes, terminais e relações com outros modos de transporte (Pignataro).


Para entender um pouco o que acontece:
Informações técnicas coletadas da UNB .

Os sistemas Arteriais são responsáveis pelas ligações entre os principais centros de atividade da cidade: em geral as vias arteriais são , em boa parte, prolongamentos das ligações interurbanas oferecidas pelas vias rurais. As vias locais são responsáveis pelas ligações capilares, ou seja, aquelas que dão acesso aos lotes. Os sistemas coletores são responsáveis pela transição entre os outros dois, cabendo-lhes cumprir eventual e localizadamente, funções de ligação ou de acesso.

Infelizmente, no Brasil, isto não ocorre, ainda é pequena a iniciativa dos órgãos responsáveis de implementar a hierarquização dos sistemas viários.

Assim, vêem-se situações como em que uma determinada via, com vocação claramente local, serve como única ligação entre viagens para outras cidades ou localidades grandes, com evidentes danos principalmente à qualidade da população que habita nos seus arredores. É o que acontece na Av. Sta, Isabel e Albino J. B. Oliveira.

O Brasil sofre por falta de planejamento. O que acontece, é a aprovação ou crescimento de bairros sem o devido planejamento e estudo das consequências. Há casos mais graves, como ocorreu em Barão Geraldo no ano de 2004: Havia planejamento e leis que as autoridades não aplicavam e ignoravam. A Câmara dos vereadores queria aprovar loteamentos mesmo com opinião contrária do Comdema e da Urbanização da da Região. As Associações de Bairros tiveram que entrar na justiça contra a Câmara dos vereadores para fazer com que os vereadores respeitassem a lei.
Como conseqüência da falta de planejamento, temos que ficar remendando tráfego, esgoto, poluição química, poluição sonora, poluição visual, etc.

Leia também:  Meio Ambiente em Barão Geraldo e os processos contra os vereadores


Como a disciplina Engenharia de Tráfego é pouco difundida nos meios educacionais e poucas pessoas sabem algo sobre o assunto, decidimos colocar à disposição dos nossos leitores alguma matéria a respeito:

O usuário de sistemas de tráfegos pode ser analisado como um sistema que, recebendo uma entrada, processa-a e produz uma saída, como na figura abaixo:

A entrada é o estímulo sofrido pelo usuário, a saída são suas reações correspondentes e o delta T é o tempo entre as duas.
Esta variação de tempo, em inglês, significa PIEV:

  • P de Perception

  • I de Identification

  • E de Emotion

  • V de Volition (reação)

Para um bom desempenho no tráfego, é necessário minimizar o PIEV e maximizar o tempo disponível para sua reação.

Nos países do primeiro mundo o tempo mínimo considerado razoável para as reações relativas ao PIEV é de 3 segundos. Infelizmente em nosso país verificamos  diminuição deste tempo nos semáforos e em placas de sinalização confusas. A disciplina no nosso trânsito seria beneficiada em muito se os semáforos, placas de sinalização e visibilidade para os motoristas fossem determinadas por engenheiros de Tráfego.


Um exemplo técnico:

X é o veículo na via principal Y é o veículo na via secundária Z é o ponto de conflito de interseção

O triângulo de visibilidade do veículo   Y = v(t1 + t2 + t3), onde:

v = velocidade do veículo X
 
t1 = tempo PIEV do veículo Y
 
t2 = tempo necessário
para o veículo Y vencer
 a distância AC
t3 = tempo de segurança a ser respeitado entre a passagem do veículo Y e a chegada do veículo X ao ponto Z

T3 = 3 segundos é um valor aceitável para o tempo de segurança.

AB = u2/2d , onde u = coeficiente de resistência à derrapagem e d = desaceleração do veículo

t2 = ((u2 + 2as -u)1/2) / a , onde s = distância AC e a = aceleração de Y

Quando há placa "PARE", o motorista deve parar o veículo antes do cruzamento. Neste caso a distância da visibilidade é dada por:

d = v(t1+t2)
onde v = velocidade de X (m/s), t1 = PIEV,  t2 = tempo necessário para o veículo Y a partir do repouso, acelerar e cruzar a via principal.

t2 = (2(s/a))1/2
onde a = aceleração de Y e s = distância a ser vencida (largura da rua + comprimento do veículo)


Para quem quiser mais informações sobre engenharia de tráfego, abaixo tem algumas
apresentações da UNB em ppt:
 

Alfredo Moro Morelli
redator do Barão em Foco

 

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