10 de dezembro de 2010
 
 

Estudo analisa o aumento da mortalidade infantil em Campinas e Barão Geraldo

 

Estudo realizado pelo Centro Colaborador em Análise de Situação de Saúde (CCAS) do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp aponta um aumento de 32,6% na mortalidade infantil em Campinas entre 2008 e 2009. Em 2008, o índice era de 8,5 óbitos para cada mil crianças nascidas vivas e, em 2009, aumentou para 11,3. A pesquisa mapeou os períodos neonatais precoce, tardio e pós-neonatal e identificou um aumento de 54% na mortalidade infantil nos períodos neonatal tardio (entre o sétimo e vigésimo oitavo dia de vida) e pós-neonatal (do vigésimo oitavo dia de vida até um ano). No período neonatal precoce, o aumento entre esses dois anos foi de apenas 13,4%. Em relação à média desse índice entre 2000 e 2007, o valor de 2009 foi até menor. Os dados coletados fazem parte do Boletim nº 45 publicado pelo CCAS em parceria com a Secretaria de Saúde de Campinas.

Estes dados permitem refutar a hipótese de que o aumento da mortalidade infantil entre 2008 e 2009 estaria concentrado na primeira semana de vida. A análise segundo o peso ao nascer revelou que o aumento não resultou da maior proporção de recém-nascidos de muito baixo peso. “Observamos que a mortalidade no período neonatal precoce não teve grande impacto no aumento da mortalidade infantil. O problema está na neonatal tardia e na pós-neonatal e as principais causas de morte verificadas nesses períodos foram afecções perinatais, anomalias congênitas e causas externas, dentre estas últimas as mortes por acidente de trânsito e por aspiração”, explicou a médica epidemiologista e coordenadora da CCAS, Marilisa Berti de Azevedo Barros.

As afecções perinatais e as anomalias congênitas afetam as crianças logo após o nascimento, mas cuidados intensivos e adequados propiciados por avanços tecnológicos podem levar ao aumento da sobrevida, porém, algumas dessas crianças acabam morrendo posteriormente. Os acidentes de trânsito e as mortes por aspiração remetem à questão dos cuidados que as crianças estão recebendo. A mortalidade em Campinas começou a aumentar em maio de 2009, sendo que a maior parte das crianças que vieram a falecer não chegaram a sair do hospital após o nascimento.  “É preciso avaliar as condições dos hospitais da rede de Campinas no sentido de verificar condições que pudessem ter contribuído para esse aumento, para identificar, corrigir e evitar que aumentos da mortalidade infantil voltem a acontecer”, comentou Marilisa.

Outros dados apontados pelo Boletim quanto à mortalidade infantil dizem respeito ao nível socioeconômico e região de Campinas. No distrito Leste, que é o de melhor nível socioeconômico de Campinas, a mortalidade infantil continuou caindo em 2009. Nos outros distritos ocorreu um aumento, mas o que apresentou maior incremento foi o distrito Noroeste que concentra um percentual elevado da população socialmente carente de Campinas. Em outra análise, a cidade foi divida em três áreas de acordo com o nível socioeconômico dos chefes de domicílio. A tendência da mortalidade infantil foi decrescente nas áreas de melhor nível socioeconômico. O aumento que aconteceu em 2009 ficou restrito ao setor mais carente da população que depende mais do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Este é um tema sensível. Nós gostaríamos de ver as taxas de mortalidade, em especial a infantil, sempre declinando. Vale lembrar que nenhum país do mundo conseguiu “zerar” a taxa de mortalidade infantil. As taxas mais baixas oscilam de 2,6 a 7 por mil nascimentos vivos. Há uma tendência equivocada de alguns municípios pretenderem “zerar” a sua mortalidade infantil. O menor número de nascimentos que ocorre em municípios de pequeno porte, bem como a “migração” de óbitos para outros municípios na busca de atenção médica podem gerar essa expectativa. Precisamos ter por meta atingir as menores taxas possíveis. A importância de monitorar os indicadores de saúde é justamente propiciar informação para as intervenções onde e quando for preciso com o propósito de melhorar cada vez mais o atendimento da população”, concluiu Marilisa.


Do Jornal da Unicamp
Texto e fotos:
Edimilson Montalti


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