20 de março de 2014

A Falta de Água e o Alto Preço em Barão Geraldo

Primeiramente a água não vai acabar. Isto aconteceria se alguém construísse um aparelho para transformá-la em outro material ou os "marcianos" a levassem do planeta. O que acontece é que a nossa água está mudando de lugar e ficando suja, não acabando. Em Campinas e Barão Geraldo o processo de mudança de lugar é acelerado pela sistemática de coleta em um Rio e descarga em outro.

Campinas possui cinco ETAs (Estação de Tratamento de Água) nas margens dos Rios Atibaia (94%) e Rio Capivari (6%). A quantidade de água do Rio Atibaia depende do enorme sistema Cantareira, que são seis represas ao lado da Serra da Cantareira, região de Nazaré Paulista, na Rodovia D. Pedro. Este sistema abastece a cidade de São Paulo através de bombas e o Rio Atibaia através de comportas. Quando o reservatório está muito cheio, abrem as comportas e liberam água para o Rio Atibaia, que alaga as partes baixas do rio em Barão Geraldo, como no Vale das Garças. Quando o reservatório está baixo, não liberam água e o nível do Rio Atibaia abaixa, dificultando e encarecendo o tratamento da água nas quatros ETAs que coletam água do Rio Atibaia.

Diferente do nosso sistema, nos países do primeiro mundo não há grandes reservatórios de água para abastecimento como o Sistema Cantareira.
Em Roma, o Rio Tévere atravessa a cidade com sua água límpida. Barcos levam os turistas pela cidade que não sentem nenhum cheiro desagradável e não visualizam nenhuma latinha ou garrafa pet. Não é nada semelhante com o Rio Tietê ou Rio Anhumas. Em Lucca, um canal semelhante ao da Av. Anchieta em Campinas, podemos ver a água límpida e trutas procriando. As trutas são conhecidas por procriarem apenas em águas frias e limpas.
Em Nova York, o enorme Rio Hudson tem muitos barcos transportando cargas e passageiros, mesmo assim, tem a água não potável para beber, mas própria para nadar ou banhos.
Para quem conhece o Rio Tâmisa em Londres, qualquer comparação com os nossos Rios é constrangedora.

A diferença na limpeza entre os rios destes países e os rios do nosso país está na RECICLAGEM da água. Assunto que nossos políticos e a mídia não comentam. Há países que reciclam a água, isto é, coletam o esgoto das casas e não desovam nos rios, tratam o esgoto adequadamente e a água tratada volta para as casas. A perda é baixa e os  reservatórios são estratégicos e pequenos.
Este sistema de reciclagem da água é mais caro e mais técnico do que as nossas ETEs (estações de tratamento de esgoto). As águas das nossas ETEs não estão em condições higiênicas de voltarem para as residências.

A água reciclada é considerada cara no primeiro mundo, mas curiosamente em Campinas, que não recicla a água e tem um tratamento de esgoto ineficiente, pois sentimos cheiro de cocô em várias regiões da cidade, pagamos mais caro pelo consumo de água do que em cidades que reciclam na Flórida e Alemanha, como em Orlando e Nürberg (ver comparação no final da página). Mais cara em reais, sem considerar a conversão para dólar, euro ou compensações. Devemos considerar que há algo errado, muito errado para as nossas autoridades não providenciarem a reciclagem das águas.  Seria uma Fortuna impraticável.

O nosso Ribeirão das Pedras 20 anos atrás era um córrego com 1 metro de largura por 5 cm de altura. Hoje tem pelo menos 4 vezes o volume original sem chuvas. Não é milagre nem novas nascentes, o aumento de volume é causado pelo esgoto de muitas residências que caem direto no ribeirão ou esgoto como do Shopping D. Pedro. (ver fotos do Shopping jogando esgoto no Ribeirão das Pedras).
 
Quinze anos atrás não havia ponte na Av. Atílio Martini, próximo do Tilli Center, havia apenas uma tubulação de 90 cm de diâmetro sob a avenida que dava vazão à água do pequeno riacho. Esta tubulação original ainda está lá. Para quem quer conhecer a questão da nossa água, vale a pena ir até a ponte ao lado do Tilli Center e comparar a antiga tubulação de 90 cm com a abertura atual da ponte e o volume da água atual no ribeirão.

Deveria haver uma lei obrigando as prefeituras coletarem água dos rios somente nas saídas das cidades e jogarem o esgoto somente na entrada da cidade. Assim as prefeituras situadas água abaixo coletariam água limpa e cada prefeitura trataria a água adequadamente, pois se jogassem o esgoto na entrada da cidade, seria uma cidade fedorenta.

Quem não concorda com estas afirmações deve ir na região do Clube Guarani, na Av. Norte-Sul, para sentir o cheiro do Córrego Proença. Este córrego se junta com o Córrego do Serafim (córrego da Av. Orozimbo Maia). A partir desta união, o Rio passa a ser chamado de Rio Anhumas e vem para Barão Geraldo, carregando os dejetos. O Anhumas é afluente do Rio Atibaia, dentro da Rhodia, na saída de cidade. 
 
Sobre o esgoto presente nos rios de Campinas, também devemos considerar que a ETE de Barão Geraldo, localizada na beira do Anhumas, próximo da Rhodia, na saída de Campinas, foi feita para tratar o esgoto de 25.000 pessoas segundo propaganda e placas na inauguração. Acontece que Barão Geraldo tem 65.000 pessoas e na conta de água começaram a cobrar o tratamento de água. Só se for algum tratamento milagroso, que trata 3 vezes a capacidade projetada para a ETE (ver).

O Brasil é a 7ª economia do planeta e está em 112ª posição em saneamento de 200 países pesquisados. Apenas 46% dos brasileiros tem o esgoto coletado e apenas 17% tem o esgoto tratado (ou mal tratado como em Barão Geraldo).
Como somos mais de 200 milhões de pessoas, despejamos diariamente no Oceano Atlântico, o cocô e dejetos das pias e sanitários de, pelo menos, 170 milhões de pessoas.
Estes números explicam a importância nacional que é dada ao assunto e a preocupação da ONU no capítulo 18 da agenda 21. O brasileiro em geral não conhece estes números, mas lá fora, os ecologistas sabem e conhecem.
Em recente reportagem francesa sobre a Foz do Iguaçu, o fato dos hotéis jogarem o esgoto direto no maravilhoso rio foi bastante comentado na matéria. "quando v. utilizar os sanitários, saibam que será despejado direto naquele maravilhoso rio e cachoeiras deslumbrantes".

Ainda estamos muito longe da Reciclarem. Nosso povo está acostumado a conviver com cocô, muitos não sentem o cheiro nem se importam em levar as crianças para as praias com indicação de altos índices de coliformes fecais.

Politicamente, saneamento não dá votos em nosso país.

Alfredo Moro Morelli
redator do Barão em Foco
 

Estação de Reciclagem de água em Luanda - Angola - África

Veja também:

ETE de Barão Geraldo Joga o Esgoto sem tratar no Rio Anhumas - agosto de 2012

Opiniões no Facebook sobre o esgoto da ETE  de BG no Rio Anhumas - agosto de 2012

Rio Anhumas: cor e volume variáveis em um só dia sem chuva - agosto de 2011

ISO 14.001 (Meio Ambiente) a La Barão Geraldo - esgoto do Shopping D. Pedro - janeiro 2010


Tabela de preços da água da Sabesp - 08-2013



 

Tabela de Preços da Sanasa - fevereiro de 2014

Ou seja, uma conta para consumo de 23 m3 :

Só a água= R$69,56 - na Sabesp seria R$29,44, ou 42% do preço da Sanasa

A conta total da Sanasa com coleta e tratamento mal feito = R$155,10.
A conta total da Sabesp com  tarifa de esgoto                         = R$  52,67.


Água reciclada em Em Orlando, FL:  $5.37 per 1000 gallons - ou seja, R$13,00  por 3.7854m³
ou R$ 79,00 para 23 m3


Água reciclada na Alemanha:

Wasserrechnung in Euro (brutto) je Jahr bei Bezug von 80 m³ und tatsächlich kalkulierte Kosten: € 197,60 - ou seja, R$689,50 por 80 m3 total por ano.
ou R$ 198,00 para 23 m3
um pouco mais caro que em Campinas, mas há descontos para quem economiza e tem reservatório das águas da chuva para molhar as plantas e limpeza.


Alfredo Moro Morelli
redator do Barão em Foco

 

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