As Capivaras do Esgoto
No Ribeirão das Pedras em Barão Geraldo
- agosto 2009 -

 

O volume de esgoto que o Ribeirão das Pedras recebe na região do bairro Santa Genebra é superior ao volume das águas de suas nascentes. Nesta época de poucas chuvas, nota-se um caldo escuro e cheiro insuportável no rio que atravessa Barão Geraldo.

Ao longo do Parque Linear Ribeirão das Pedras, na Cidade Universitária, vivem várias famílias de capivaras que aparecem, principalmente à noite, para pastar. Elas gostam de grama e saem do rio de esgoto para os gramados limpos, fora do mato, onde podemos vê-las.
À primeira vista são dóceis e despertam curiosidade pela quantidade de filhotes, que são bonitos e alegram o ambiente, mas se aproximarmos, elas correm de volta para o rio de esgoto.
Apesar do visual que agrada muitas pessoas, sugerimos não chegar muito perto, não pisar naquela grama e não deixar os animais domésticos andarem nos lugares freqüentados pelas capivaras. Em um país onde um terço da população não sabe o que é saneamento básico e a maioria se acostumou com o cheiro de esgoto, precisamos tomar muito cuidado.

Nosso país tem 2,9% da população global e 20,45% das mortes globais da gripe suína (1.799 mortes no mundo, sendo 368 no Brasil - até agora). A disparidade entre estas duas porcentagens é explicada pela falta de saneamento básico/higiene, com a conseqüente  saúde precária da população e não por culpa da Argentina, do México ou dos EUA. A porcentagem de pessoas no "grupo de risco" tem valores diferentes em países diferentes.
O primeiro país a tratar o esgoto foi a Inglaterra em 1892 - há 117 anos. Atualmente é o país que apresenta o menor índice de mortes pela gripe suína.
O fato é que, em 1892, há 117 anos, o saneamento básico na Inglaterra era muito superior ao de Barão Geraldo hoje, que pretende tratar o esgoto de apenas 25.000 pessoas em um local com 60.000 habitantes.
Enquanto isto, a propaganda sugerindo que temos saneamento básico continua em destaque nas placas e indicações pelo distrito. A grande maioria acredita nestas propagandas, pois para nossa população, é difícil relacionar tratamento do cocô de 25.000 pessoas em local com 60.000 habitantes. O que marca é o impacto: "estamos tratando o esgoto e cuidando de você".
E o cocô das outras 35.000 pessoas, para onde vai? Vai infectar as pessoas, que se pegarem a gripe suína, correm grande risco de morte.

Lucia Buosco

 

 

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