Vivendo e... lendo!


Há pouco, estava lendo um livro e não conseguia me concentrar na leitura; meu pensamento estava longe das páginas do livro. Adquiri o hábito de ler de forma repentina, Quando começo a ler um livro, primeiramente eu viajo, minha atenção se desvia totalmente das suas páginas, como se eu estivesse lendo a minha memória, meu inconsciente armazenados em meu cérebro. Passados cinco a dez minutos nesse exercício, começo a entrar no enredo do livro. Tenho de ser sincero com vocês, leitores, este acontecimento me fazia já de início desistir da leitura, hoje são exatamente esses períodos de leitura de que mais sinto falta quando termino de ler um livro. São nesses momentos de reflexão e troca de idéias com o livro que reflito a minha existência, os objetivos de tal leitura e tudo mais que existe na minha cabeça. São dez minutos de auto-conhecimento, de intimidade com o livro, como se eu estivesse me abrindo para livro, mostrando a ele quem eu sou, o que eu espero dele, e só depois desse primeiro contato é que me aprofundo no texto, vasculhando todas as letras, conjunções, predicados, exclamações, acentos, interrogações, objetos, coerência, sinônimos e paradoxos. A cada página, mais surpresas se encontram, o livro parece que realmente me compreendeu e a cada história uma semelhança, um desabafo, um choro, uma risada, uma lembrança...
Agradeço a minha família, meus professores, aos escritores e a todos que contribuíram com minha iniciação à leitura, me incentivando. Sinceramente foi tarefa árdua, eu tinha verdadeira repulsa aos livros, que literalmente se transformaram numa paixão, vontade de conhecer, curiosidade de saber, ambição de manipular corretamente as palavras e as línguas, gratidão pela arte, seduzido pela beleza da linguagem. 
Certa vez, quando fui visitar uma universidade, pouco antes de prestar exame para o vestibular, fui conhecer sua biblioteca, eram corredores com várias prateleiras de livro, quem tiver curiosidade em conhecer é a biblioteca da Unesp de Rio Claro no campus da Bela Vista. Meu apetite pela leitura estava um tanto exagerado, que me determinei a ler todos os livros daquela biblioteca. Aos poucos fui percebendo que era uma loucura este desejo, ainda mais quando passei a conviver nela e saber que chegam em média 20 a 30 livros todas as semanas, e que no máximo, eu conseguia ler um livro de 200 páginas em 2 dias, ou seja não acabaria nunca. A intenção era apreciável, mas talvez a praticidade dessa façanha não fosse vista como uma normalidade.
Um presente recebido num dos meus aniversários foi um livro, ganhei de uma amiga muito querida, que o guardo com muito carinho junto com sua delicada dedicação. A bíblia continha uma linguagem moderna, diferente das que existia em casa e em outros lugares, era uma linguagem facilitada, diferente daqueles "dizer-te-eis", "apresentai-vos-ei", "aquietai-vos", ou seja, uma linguagem mais antiga, concordâncias verbais na segunda pessoa do plural e do singular ( vós e tu, consecutivamente), vocabulário anacrônico. 
No começo, minhas investidas na leitura da bíblia eram tímidas mas diferentes, aquele auto-conhecimento através da bíblia era muito gostoso e prazeroso. Enquanto em qualquer outro livro, a etapa de curiosidade, de conhecimento e reconhecimento de leitor e livro se restringiam à dez minutos, quando eu lia a bíblia, essa fase se prolongava, e a todo tempo ela me estimulava a pensar, a viajar, a vagar, a questionar, a responder, a falar, a ouvir, a fazer... Comecei a aprender mais de leitura e de subconsciente, e principalmente comecei a me conhecer mais, eu próprio. A partir daí conheci a Deus, a Jesus, a igreja, o que é espiritualidade, a sociedade, o ser humano, a natureza, o bem, o mal, o sonho, o real, comecei a viver.
Um dos primeiros livros que li, que pertencem à bíblia, foi Eclesiastes, livro escrito por Salomão, filho de Davi, rei de Jerusalém cerca de 1010-930 antes de Cristo. Salomão, além de escritor é também um personagem muito interessante, homem que tinha mais de 1000 mulheres, considerado o homem mais rico daquela época e também o mais sábio. No seu livro, ele diz que tudo o que teve foi "besteira" e vaidade, foi falso, e que por mais que ele tivesse o que quisesse, ele não havia sido feliz, e somente quando ele se desgrudou de seus bens e de sua vaidade é que pôde tomar consciência da vida. Ele culpa a si próprio de seu fracasso, por ter se esquecido de Deus, a Quem seu pai Davi era tão grato. Em seu livro, ele, Salomão, diz que a sabedoria vale mais que ouro e prata e que nós devemos buscar sabedoria, conhecimento e viver junto a Deus, através da oração, do louvor, do culto e da fé. 
O mesmo Deus que inspirou a Salomão e as suas palavras registradas na Bíblia me incentivaram na leitura, e me incentivam a cada dia, me mostrando-me que não existe nada que seja impossível, nem aquele desejo de ler os livros da biblioteca, embora eu saiba, hoje, que não tenha finalidade nenhuma em tal tarefa. Não sei como explicar, mas aquele desejo sempre vai estar comigo, alimentando minha dedicação à leitura e ao conhecimento, que rapidamente são transformados em alegria, brincadeira, terapia, satisfação, conhecimento, ciência, vivência, amor... 


Job Jesus Batista Filho
Graduando em Geologia e Educação Física.
jobjbf@rc.unesp.br 

 

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