Luiz Gonzaga

A voz do Sertão que iluminou o Brasil. No último dia dois fez dez anos que Luiz Gonzaga nos deixou. Com uma sanfona de oito baixos e uma voz que tranbordava o Sertão, criou uma obra única, carregada de ritmo e poesia, que contagiou o Brasil e o mundo

Com uma sanfona de oito baixos e uma voz que transbordava o sertão, Luiz Gonzaga criou uma obra musical única, carregada de poesia e muito ritmo. Nascido em Exu, cidade pernambucana, faria no dia 13 de dezembro, 87 anos, e no último dia 2, dez anos que nos deixou.

Gonzagão ou Lua, como era carinhosamente chamado, começou sua carreira no final dos anos 30, tocando em praças públicas ao lado de seu amigo português Xavier Pinheiro. Desenvolveu o baião e o espalhou para todo o Brasil, levando para os grandes centros do país, a alegria, a esperança e a força do povo nordestino. Aprendeu a tocar seu instrumento com o pai, Januário, sanfoneiro de primeira que animava os bailinhos da cidade.

Aos 18 anos veio para o Sul do país. Antes disso, partiu para Fortaleza, onde entrou para o exército.

Começou logo depois a viajar para vários lugares. Passando por SP, resolveu comprar uma sanfona nova. Acabou indo para o Rio, onde resolveu viver de música, sua maior inspiração. O primeiro emprego foi no Mangue, zona de meretrício, onde haviam botequins com música ao vivo e arrastapés.

Tangos, valsas e boleros era seu repertório na época.

"Você toca muito bem seu moço! Mas porque não ataca umas coisinhas lá da nossa terra pra matar a saudade. Deixa o tango pra lá", disse para Luiz Gonzaga, um estudante pernambucano numa noite, depois de ouvi-lo tocar.

Gonzagão inscreveu-se no programa de calouros de Ary Barroso, em 41, solou sua música "Vira e Mexe", ganhando o primeiro lugar. Logo depois foi contratado pela Rádio Nacional. Foi nesse ano que veio a oportunidade de mostrar seu talento em disco, gravando suas primeiras músicas ou de outros compositores. Foram elas: "Numa Serenata" (Luiz Gonzaga), "Véspera de São João" (Luiz Gonzaga e Francisco Reis), entre outras, que foram gravadas em instrumental. Alguns anos depois, Gonzaga convenceu a gravadora que poderia ser um bom cantor. Nasceram então seus primeiros discos, dois "bolachões" em 78 rpm, que foram gravados num só dia.

Gonzagão estourou nas paradas de sucesso em 46 com "Baião", dele e Humberto Teixeira, gravado originalmente pelo grupo cearense "Quatro Ases e Um Curinga". Depois disso, sua música correu o mundo, sendo gravada na Espanha, Itália, França, Estados Unidos, Japão, entre outros, e também por Carmem Miranda.

Foi com "Forró de Mané Vito" (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), "Forró de Zé do Baile" (Severino Ramos), "Forró de Pedro Chaves" (Luiz Gonzaga) e "Forró de Zé Buchudo" (Severino Ramos e Helena Gonzaga), que Gonzagão exaltou o forró. Apesar do repetido sucesso de "Asa Branca" (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), seu carinho todo especial era para "Triste Partida", de Patativa do Assaré, que descreve a árdua e longa jornada de um nordestino em direção à cidade grande.

No final dos anos 50 e, mais intensamente na década de 60, a modalidade musical tão ricamente defendida por Gonzagão foi relegada pelos meios de comunicação que se voltaram para a bossa-nova, o rock, o twist, o yê, yê, yê e para todo o movimento da Jovem Guarda. Hoje, graças a garra e talento de Luiz Gonzaga, que juntamente com outros nordestinos, mantiveram sempre acesa essa chama

trabalhando nos arrastapés, visitando forrós e se apresentando sobre caminhões em praças públicas, a musicalidade nordestina está cada vez mais viva, botando pra sacolejar jovens e velhos de todas as cidades do Brasil. Como bem disse o crítico de MPB, Tarik de Souza: "Luiz Gonzaga deu definitiva cidadania nacional aos ritmos do Sertão".

Assis Ângelo: "Gonzagão é o pedestal da música popular brasileira"

O Programa São Paulo - Capital - Nordeste, que traz à frente o jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo, foi totalmente dedicado ao rei do Baião, no último sábado. O programa, que acontece na Rádio Capital, aos sábados, é líder em audiência há um ano e meio, no horário entre 21 e 23 horas.

Para Assis Ângelo, grande conhecedor da obra e da vida de Luiz Gonzaga, "ele é um dos mais importantes artistas da música brasileira". "Luiz Gonzaga deixou para a gente uma coisa preciosa; sua obra musical. É o artista com o maior número de músicas compostas e gravadas em sua homenagem. Nesses últimos dez anos são cerca de noventa músicas e dezenas e dezenas de livros de cordel que ultrapassam a casa dos cem, além de onze livros sobre ele, dentre eles o Eu Vou Contar pra Vocês, de minha autoria".

Para Assis, não é à toa que o Brasil inteiro está lembrando sua figura através de shows, espetáculos e programas de rádio e TV. "Ele é realmente de grande importância para a nossa música, e graças a Deus tem influenciado as novas gerações, como, por exemplo, a Banda Mafuá e Mestre Ambrósio.

Ele é um pedestal da música popular brasileira", afirmou. Homenageando Luiz Gonzaga estiveram no programa, Dominguinhos, Anastácia, os poetas-repentistas Oliveira de Panelas e Ismael Pereira, o presidente da União dos Cantadores Repentistas e Apologistas do Nordeste (UCRAN), Sebastião Marinho, a irmã de Gonzagão, a sanfoneira Chiquinha e o historiador da música brasileira, José Ramos Tinhorão.

Anastácia disse que esse ano quer festejar muito Luiz Gonzaga. "Todo nordestino e todo brasileiro deve ficar sabendo que Lua foi um cantador de muita importância na história da cultura do povo nordestino. Nós que vivemos a música nordestina temos por obrigação citar Gonzaga em todos os momentos".

Dominguinhos, sucessor de Gonzagão, foi chegando ao programa já tocando sua sanfona, e dizendo:

"Luiz Gonzaga foi o pioneiro, e com muita dificuldade, conseguiu colocar o baião no meio do povo, com muita persistência de cabra macho do sertão. Conheci Gonzaga com apenas nove anos. Um ano depois ele me deu uma sanfona. Foi meu mestre e inspirador".

 Carmélia Alves: "A partida de Lua deixou um vazio muito grande na nossa música"

Carmélia Alves, a Rainha do Baião, foi coroada em 1951 por Luiz Gonzaga no programa "O Mundo do Baião", da Rádio Nacional. A cantora, que em breve estará lançando CD pela gravadora CPC-UMES, diz que Gonzagão foi muito mais que um colega. "O Lua foi meu companheiro de trabalho, meu Rei do Baião, meu amigo. Sua partida deixou um vazio muito grande no cenário da música popular brasileira. O maior mito desse século foi sem dúvida nenhuma Luiz Gonzaga. Vamos agora ter a continuação de seu trabalho através de seu acervo; de coisas lindas e maravilhosas que ele deixou junto com Humberto Teixeira, Zé Dantas, Hervé Cordovil, e tantos outros. Graças a Deus que nós temos a continuidade desse trabalho na pessoa de Dominguinhos, que é um talento maravilhoso, um grande acordeonista, um grande compositor"

Tinhorão:"De uma simples célula rítmica Gonzagão criou o baião"

"Luiz Gonzaga foi um grande criador", afirmou o historiador da música brasileira, José Ramos Tinhorão durante a homenagem ao Rei do Baião no programa São Paulo - Capital Nordeste.

Influências

"Luiz Gonzaga foi aquele cara que se descobriu criador. Teve muita inflluência de um tocador do Rio Grande do Sul chamado Pedro Raimundo, que era o rei das valsinhas, tocava mazuca, tudo isso na sanfona. O repertório de Gonzagão era todo de Pedro Raimundo. Muito tempo depois, quando ele já era profissional do rádio, fazendo parceria com Humberto Teixeira, aliás seu primeiro parceiro, foi que descobriu as possibilidades daquele som do Nordeste, estilizando-o com o nome de baião.

Batidinha do cantador

Todo artista, seja um cantor, um arranjador, da área da música, começa sempre fazendo uma coisa que outros já fizeram. São poucos aqueles de quem pode-se dizer, - ele começou isso aqui. Por exemplo: no Paraguai, a guarânia paraguaia tem um criador, foi um determinado cara que criou a guarânia, que criou o gênero; o José Flores de Jesus. No Brasil, o baião, na verdade, é uma criação aproveitada da batidinha que o cantador dá na viola entre uma estrofe e outra, quando ele fica pensando como vai começar a resposta ao seu companheiro. Dessa simples célula rítmica,

Gonzagão construiu uma estrutura melódica e criou o baião".

Segundo Tinhorão, esse gênero virou internacional, quando havia uma fome nesse mercado por coisas novas. "Quando o baião surge, principalmente o cinema leva-o para o mundo. Na Itália houve um filme chamado Arroz Amargo, em que a atriz cantava um baiãozinho feito lá na Itália. A presença do baião era tão forte, que a própria pessoa encarregada de fazer música para o filme, fez um baião", e acrescenta, "Luiz Gonzaga é um pilar da música brasileira mais autêntica".

 

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