Agência Minas Gerais | Fhemig promove Fórum Científico destacando novas perspectivas na área de pesquisa

O Fórum Científico da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) chega à sua 8ª edição com o tema “Expandindo os horizontes da pesquisa e inovação da Fhemig”. O evento acontece nos dias 22 e 23/11, em Belo Horizonte, e tem como principal objetivo estimular e destacar o debate sobre novas abordagens para a pesquisa científica e aprimoramentos na execução dos projetos da Fundação. O Fórum acontece desde 2009 e reúne, a cada dois anos, os trabalhos desenvolvidos pelos servidores nas unidades da rede e que podem ser desdobrados em novos processos de trabalho e assistenciais, que ampliem a qualificação dos serviços prestados aos usuários do SUS. 

O secretário de estado de Saúde, Fábio Baccheretti, esteve presente na abertura oficial. Em sua fala, ele destacou o potencial da Fhemig como campo de pesquisa confiável, sem interesses mercadológicos. “A Fundação possui pontos importantes para fomentar a pesquisa: grandes profissionais e a diversidade de casos em suas unidades. Podemos fazer mais e atingir um nível maior e mais intenso em pesquisa e inovação”, analisou o secretário.

“O tema deste ano reflete bem o momento da pesquisa na Fhemig. Publicamos edital para credenciamento das fundações de apoio e, como resultado, tivemos credenciadas a Fundação Christiano Ottoni e a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Fepe), ambas ligadas à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A iniciativa aumenta as possibilidades para que os servidores se dediquem à pesquisa e à inovação e favorece o investimento em pesquisas mais complexas e de maior impacto para a saúde pública”, anunciou a presidente da Fhemig, Renata Dias.

Segundo a coordenadora da Central de Pesquisa e Inovação (CIP), Deise Nilles, o Fórum é o espaço para celebrar todo o conhecimento gerado dentro das unidades da Fhemig. “É o momento em que a instituição volta seu olhar para as pesquisas realizadas em suas unidades e se abre para conversar, discutir e aprender por meio do compartilhamento de experiências. O resultado final é muito maior do que a soma de nossos trabalhos, é a infinidade de conhecimentos compartilhados e discutidos durante todo o evento e a melhoria do serviço prestado ao cidadão”, afirma.

A mesa de abertura também foi integrada pelo coordenador do Projeto de Gestão Integrada dos Núcleos de Inovação Tecnológica, Bruno Coelho Resende de Castro, que lembrou sobre o marco legal da inovação (Lei 10.973, de 2004) e a importância de pesquisas sendo aplicadas para beneficiar o cidadão.

Um pesquisador reconhecido na Fhemig foi o homenageado desta edição: Mário Borges Rosa, farmacêutico e servidor há 37 anos da instituição. Foi coordenador de várias pesquisas e trabalhos que formaram muitos profissionais que hoje atuam na saúde pública, além de várias palestras, livros e artigos – inclusive fora do país.

Foram mais de 120 trabalhos encaminhados nesta edição – um aumento de 140% no número de artigos aprovados em relação à edição anterior. Também foram aprovados 65 resumos de trabalho, o que representa 20% a mais do que em 2019.

Qualidade assistencial 

A equipe do Diagnosis Related Groups (DRG) da Fhemig já teve dois artigos publicados no Fórum Científico, que geraram experiências exitosas na instituição. 

O primeiro deles – com autoria de Marco Aurélio Fagundes Ângelo e Bárbara Ribeiro Martins – com o tema “Implantação da Metodologia DRG na Fhemig: Um estudo de caso” descreve a implementação pioneira do DRG em hospitais da administração pública direta, propiciando mudanças de paradigmas e formulação de estratégias de gestão na Fundação. “Vinculamos o monitoramento dos hospitais, por meio da metodologia DRG, conforme metas pactuadas, que refletem, inclusive, na remuneração dos servidores”, explica o médico referência do DRG na Fhemig, Marco Aurélio Fagundes Ângelo. 

Segundo ele, entre os resultados podem ser destacados: a redução de ineficiência, o aprimoramento da segurança e qualidade assistenciais, a desospitalização oportuna e a ampliação do acesso da população aos serviços do SUS.

Além desse, outro trabalho – com autoria de Cynthia Carolina Duarte Andrade, Priscilla Rodrigues Fernandes de Oliveira, Alisson Rubson Alves, Victor Rodolfo Caldeira de Jesus – com o título “A efetividade de ações educativas na redução de inconformidades geradas pelo sistema DRG-Brasil em 10 hospitais públicos de Minas Gerais: estudo de caso” contribuiu para melhorar ainda mais a qualidade da codificação no Sistema DRG, proporcionando maior precisão aos dados utilizados no monitoramento do desempenho dos hospitais.

A implantação e a utilização da Metodologia DRG na Fhemig foi tão bem-sucedida que serviu de modelo para o Estado, por meio do OtimizaSUS. 

Ausência de reações à vacina

Ainda no campo da pesquisa, o Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), da Rede Fhemig, desenvolveu um protocolo vacinal, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), para crianças que não haviam recebido a vacina contra febre amarela por suspeita ou confirmação de alergia a ovo.

Para isso, as crianças encaminhadas ao serviço da unidade, no período de fevereiro de 2018 a janeiro de 2020, com histórico de possível alergia ao ovo, foram vacinadas de acordo com protocolo desenvolvido, com realização de teste alérgico vacinal e supervisão de médicos alergistas.  

“Durante o período do estudo conseguimos imunizar 435 crianças. Mais de 95% desses pacientes foram vacinados sem qualquer reação vacinal; apenas 21 crianças apresentaram reações locais ou cutâneas leves. Somente uma paciente apresentou um quadro de alergia com anafilaxia vacinal, sendo prontamente tratada com adrenalina com resolução completa dos sintomas”, explica a médica pneumologista e alergista do HIJPII, Fernanda Tormin, que esteve à frente da pesquisa. 

O resultado gerou uma importante conclusão que mudou o protocolo vacinal. “Constatamos a segurança da administração da vacina de febre amarela em crianças com alergia ao ovo sem a necessidade de protocolos de testes na pele ou dessensibilização vacinal. Somente em casos com alergia grave a ovo que ainda é indicado que a vacinação seja realizada em um local equipado, para tratar possíveis reações”, ressalta a médica. 

Um resultado de grande importância, já que a cada ano são registrados 200 mil novos casos da doença em todo o mundo, com uma taxa de mortalidade relatada de 20% a 50%. “Cerca de metade desses pacientes desenvolvem complicações hemorrágicas e acabam morrendo, não existindo um tratamento específico para a doença. Sendo assim, o controle do mosquito vetor e a vacinação são as principais medidas na prevenção”, alerta Tormin.  

O HIJPII continua recebendo pacientes para vacinação supervisionada. Para isso, basta ir à unidade com um encaminhamento médico e realizar o agendamento. 

Trabalhos Premiados no 8º Fórum Científico

1º lugar: “Comparação da pressão inspiratória máxima entre medidas do manovacuômetro e ventilador mecânico” – Maxwell de Morais Silva, Edirlene de Melo Nogueira e Magdaline Trindade Ladeira;

 2º: “Avaliação placentária e do neurodesenvolvimento no primeiro ano de vida de recém-nascidos expostos ao Sarscov-2 durante a gestação” – Rayssa Oliveira Nogueira Andrade e Sílvia Paschoalini Azalim de Castro;

3º: “Navegação em Oncologia: um relato de experiência na implantação do serviço em um hospital público de Belo Horizonte – Minas Gerais” – Cíntia Esteves Soares, Gisele de Oliveira Pereira, Isabella Marilac de Lima Passos e Núbia de Ávila Santos; 

4º: “Acidentes de trabalho com material biológico notificados em Belo Horizonte de 2008 a 2017” – Julianne Santos Mangualde; 

5º: “Uso do Palivizumabe em um serviço de atenção a recém-nascidos prematuros”- Sílvia Paschoalini Azalim de Castro, Ana Clara Ribeiro de Barros Pereira, Carlos Alberto Zanini, Cristina Mendes de Resende, Dayra Aparecida de Almeida Pinheiro e Eliza Lavall Bamberg.

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